A transformação digital é inevitável para a sobrevivência no mercado e, por isso, empresas estão apostando cada vez mais em tecnologias para se tornarem mais produtivas e presentes na vida dos clientes.

     As vendas físicas no varejo estão perdendo espaço para as vendas on-line e os varejistas buscam compreender quais canais devem ser trabalhados diante de um público antenado e exigente.

     A transformação digital já é uma realidade em empresas de todos os segmentos e vem ganhando força principalmente diante do surgimento de novas tecnologias como Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Big Data, Automação e Robótica, entre outras, além de um novo perfil de consumidor cada vez mais digital, que exige um atendimento mais ágil e personalizado.

     De acordo com o International Data Corporation (IDC), as empresas devem gastar US$ 1,7 trilhão em transformação digital até o final de 2019, um aumento de 42% em relação a 2017. Importante frisar: os consumidores que tiveram experiências com marcas que já nasceram digitais, como Amazon, Uber e Nubank, possuem uma visão diferenciada de personalização dos serviços em relação às empresas “tradicionais”, o que demanda que essas empresas repensem suas estratégias de relacionamento com os clientes nos diferentes canais.

     Sua empresa está aproveitando as oportunidades que surgiram com a onda da transformação digital?

     Um estudo inédito realizado pela McKinsey com 125 companhias atuantes no Brasil, analisando nove setores da economia, mostrou que apenas 10% das empresas pesquisadas foram consideradas “muito adiantadas” quanto ao uso da tecnologia. O varejo ficou em segundo lugar, perdendo apenas para o setor de serviços financeiros. O destaque do varejo foi para sua grande capacidade em “analisar e cruzar dados de diferentes fontes sobre seus clientes, como informações de compra, atendimento e comportamento de navegação”.

     Além disso, observamos entre os nossos clientes e no que vivenciamos no dia a dia que “10 entre 10” varejistas têm em seu planejamento estratégico a transformação digital como “must have”.

O Magazine Luiza, rede varejista de eletrônicos e móveis, é um dos cases nacionais mais bem-sucedidos quando o assunto é transformação digital. A empresa atua de forma integrada nos diversos canais (site, loja física e aplicativo), criou uma assistente virtual para interagir com o público e tem como principal estratégia para os próximos cinco anos um novo ciclo de transformação digital baseado em cinco pilares: inclusão digital, digitalização das lojas físicas, multicanalidade, transformar o site em uma plataforma digital e a cultura digital.

     Por outro lado, uma das principais barreiras para a digitalização das empresas é a cultura. No caso do varejo, a maioria vem de uma trajetória analógica e hierárquica, que não tolera o erro. Quando falamos em transformação digital, não podemos pensar apenas na tecnologia, mas também em uma transformação cultural – como as coisas deverão acontecer dentro das empresas. A maioria dos varejos, principalmente os regionais, tem baixa propensão a essa transformação, por conta de uma cultura tradicional muito enraizada no passado.

     Entre os dias 19 e 21 de março, eu e minha sócia, Marise, participamos da Convenção ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados – maior encontro de líderes supermercadistas do Brasil e que aconteceu no Rio de Janeiro. O evento teve como tema principal “O consumidor transformando o varejo” e contou com uma palestra internacional realizada por Frederico Santos, Diretor de Transformação Digital da Sonae MC, líder no varejo alimentar em Portugal e dona da rede Continente de hipermercados, sobre a jornada de transformação digital da empresa.

     A rede Continente, que nasceu em um país que não é originariamente o berço da tecnologia, utiliza as ferramentas digitais, como o App Smart Continente, para criar uma proposta de valor diferenciada para seus clientes, por meio da personalização de produtos e promoções, reconhecimento de voz e integração com os assistentes virtuaisGoogle Home e Amazon Alexa, além de já ter digitalizado todos os seus folhetos/encartes de ofertas. Para nós, esse é um case bem-sucedido de transformação digital que merece mais destaque, pois ainda é pouco estudado no Brasil em comparação a outros, de empresas provenientes de polos tecnológicos como Estados Unidos e China.

     Assim, com base em nossa experiência e no que vivenciamos na ABRAS, listamos algumas dicas para que a jornada da transformação digital da sua empresa vença as barreiras e seja bem-sucedida:

  1. Diretriz top/down: a transformação digital acontece pelo desenvolvimento de uma cultura digital que deve ser uma diretriz estratégica, com a liderança e o envolvimento direto dos altos níveis da organização;
  1. Envolvimento do consumidor: coloque efetivamente o consumidor no centro dos esforços de inovação, converse, peça sua opinião e permita que ele participe das mudanças;
  1. Experimentação: comece pequeno, teste, meça os resultados, aprenda com os erros, para só então partir para iniciativas mais complexas e investir em recursos mais elevados;
  1. Agilidade e foco: é melhor trabalhar com equipes pequenas e focadas/totalmente dedicadas, do que com equipes grandes envolvidas parcialmente. Em empresas com ambientes pouco inovadores ou com equipes com muitas atividades é ainda mais difícil ser ágil;
  1. Tecnologia (claro!): por último, mas não menos importante, a tecnologia deve ser entendida e utilizada como ferramenta que simplifica e acelera os processos, que encurta caminhos e entrega as melhores soluções.

     Nós da Step Stone te convidamos a refletir sobre como a transformação digital tem impactado as estratégias de crescimento e inovação de sua empresa, e a maneira como se relaciona com os seus clientes.

     Venha tomar um café com a gente.

Na próxima edição do Step Stone Insights, traremos uma análise mais aprofundada sobre o case da primeira loja 100% autônoma da América Latina.

Alexandra Jakob
Sócia Consultora